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sábado, 21 de maio de 2011

Palocci, segundo Gaudêncio Torquato

 

 

Palocci sob bombardeio
O ministro Antonio Palocci é o mais poderoso do governo Dilma. Assume o papel de um primeiro ministro : coordena tarefas, recebe demandas, acerta nomeações, leva nomes para presidente Dilma, enfim, é a barreira mais forte sob a qual se resguarda a presidente. E ainda se dispõe a auxiliá-la na árdua tarefa de fazer articulação com o Congresso, tarefa que dispõe de um ministro próprio, Luiz Sérgio, da Articulação Institucional. Essa introdução tem o objetivo de arrumar o argumento : quando o principal ministro é atingido por matéria jornalística de impacto, os estilhaços acabam caindo sobre a imagem do governo. E é o que está acontecendo. Palocci foi objeto de matéria de primeira página na Folha de S.Paulo, sob a abordagem de que aumentou seu patrimônio 20 vezes nos últimos 4 anos.
Fogo amigo ?
O ministro Palocci, ao que se sabe, pode ter sido objeto de fogo amigo. Petistas se dividem em alas, grupos, facções, cada uma desejando ser mais poderosa que a outra. Aliados de outros partidos também querem ver o ministro fragilizado. Palocci é foco de tiroteio. Precisa explicar como conseguiu aumentar seu patrimônio. Consultoria dada por sua empresa, é o que alega para a CGU, a Controladoria Geral da União. Não é proibido um deputado ter uma consultoria. Contanto, que não preste serviços ao Estado para evitar tráfico de influência. A mídia quer saber a quem o ex-deputado prestou serviços. O ministro argumenta que tudo está documentado. O imbróglio implicará diminuição de força do chefe da Casa Civil ? É improvável.
Efeitos
Sob bombardeio, Palocci vai carecer de apoio político para evitar idas ao Congresso Nacional e depoimentos que poderiam constrangê-lo e ao governo do qual faz parte. É o que as oposições pretendem. Como é sabido, elas estão sem poder, sem discurso e com as bases desmotivadas. Agora, pressentem a oportunidade de ressurgirem sob a bandeira de uma matéria com sabor de escândalo. Mas as bases governistas certamente não aprovarão a convocação do ministro. Elas, contudo, gostariam de compensação. Palocci precisa apressar e fechar o processo de nomeações de aliados, particularmente os políticos que não obtiveram sucesso no último pleito. Todo esse rolo chegará à mesa presidencial. Uma dúvida persiste : que "amigos" poderiam ter mais interesse em colocar Palocci na fogueira ? Quem teria vazado as informações que chegaram aos meios de comunicação ?